FAQ

O que é o 15.O?

O 15.O, como foi batizada a manifestação mundial marcada para o dia 15 de outubro, aconteceu em mais de 900 cidades, em 82 países. O chamado, sob o slogan “unidos por uma mudança global”, partiu das indignadas e dos indignados que ocuparam as praças espanholas a partir de maio desse ano.

Se as insatisfações que impulsionaram nesse ano mobilizações como as do norte da África, da Europa, de Wall Street em Nova Iorque, dos estudantes chilenos, entre outros, são globais e estão pipocando em todos os continentes, façamos uma mobilização global. A partir desse raciocínio foi lançado o manifesto que faz a convocatória internacional: “No dia 15 de outubro pessoas de todo o mundo tomarão as ruas e as praças. Da América à Ásia, de África à Europa, as pessoas estão se erguendo para lutar por seus direitos e pedir uma autêntica democracia. Agora chegou o momento de nos unirmos num protesto não violento à escala global”. “Unidos em uma só voz, faremos saber aos políticos e às elites financeiras que eles servem, que agora somos nós, o povo, que decidirá o nosso futuro”, alerta.

Também críticos ao modelo de democracia representativa e ao sistema capitalista como um todo, manifestantes na cidade de São Paulo engrossaram o caldo das centenas de mobilizações que balançaram as estruturas da falsa democracia. Desde sábado, dia 15, centenas de pessoas permanecem acampadas no vale do Anhangabaú, para ações e debate coletivo a respeito de alternativas ao desumano modo como a sociedade funciona hoje.

Quem são os acampados em São Paulo?

Somos muitos e diferentes. A partir da nossa diversidade nos unificamos em torno do 15 de outubro. Os participantes dessa manifestação fizeram parte de tantas outras. São integrantes de movimentos sociais e organizações sociais, estudantes, militantes, trabalhadores, artistas, moradores de rua: todo e qualquer indignado.

O movimento é só composto por jovens?

Apesar de por enquanto o movimento ser majoritariamente composto por jovens, diferentemente do que tem aparecido em alguns veículos de comunicação, o movimento do 15.O não é restrito à juventude. Trata-se de uma articulação entre todos aqueles que, indignados com o atual modo de funcionamento da sociedade, com a falsa democracia, com poucos decidindo o rumo das vidas da maioria, se unem não só para demonstrar sua indignação, mas para coletivamente debater alternativas.

O que vocês reivindicam?

No âmbito global o 15.O reivindica mudanças estruturais no modelo de democracia representativa, por entender não só que os governantes não tem os mesmos interesses do povo e que portanto não nos representam, como que o próprio modelo representativo do estado funciona de modo que uma minoria decide os rumos de toda a população. Trata-se de um grito de basta ao sistema capitalista.

Dentro dessas pautas gerais, incluem-se as reivindicações específicas do Brasil e de São Paulo, que constam listadas em nosso manifesto.

Como estão funcionando internamente?

Temos como princípio a auto-organização e o auto-financiamento. O movimento tem autonomia diante do Estado, das empresas e de qualquer partido. Somos um movimento pacífico, anticapitalista, horizontal, cujas decisões são tomadas por meio do consenso em assembleias diárias. Qualquer pessoa que esteja de acordo com nossos princípios e pautas está convidado a participar do movimento. Todos tem voz igual.

Realizamos assembléias consensuais em dias alternados e todas as pessoas tem espaço para se expressarem e serem ouvidas. Também nos organizamos em comissões rotativas para pensar e realizar atividades políticas direcionadas para a transformação das relações sociais estabelecidas pelo sistema político econômico através da luta pela democracia real e direta.

Essas comissões são abertas e seus integrantes, sempre rotativos, se identificam com fitas coloridas. Foram compostas Arte, Cultura e Intervenção Urbana, Alimentação, Boas Vindas, Comunicação, Infraestrutura, Relações Internacionais, Jurídica, Articulação com Movimentos Sociais e Programação do Acampamento.

Como são financiados?

Não aceitamos dinheiro de nenhuma empresa ou entidade que vise o lucro, seja ela qual for. Além de passar o chapéu, aceitamos doações financeiras de entidades que estejam de acordo com nossa luta e estritamente que não firam nossa autonomia (como sindicatos ou entidades estudantis) e, divulgando nossa lista de necessidades estruturais, como comida, água, papel, extensões, etc., temos recebidos contribuições individuais.

Quanto tempo vai durar o acampamento?

O acampamento não tem data para terminar. Todas as decisões são feitas coletivamente por meio do consenso nas assembleias diárias. Ele terminará, portanto, quando o coletivo que constrói o movimento assim decidir.

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